terça-feira, 9 de setembro de 2014

Rodrigo Mello Franco de Andrade e o Patrimônio

A compreensão do patrimônio está atrelada
 à compreensão da ideia de monumento histórico.
 O monumento é uma interpelação da memória;
não apresenta nem carrega em si uma
informação neutra, mas traz uma memória viva.

 (MENEGUELLO)

No dia 17 do mês de Agosto comemorou-se o Dia do Patrimônio Histórico, mesma data em que nasceu o mineiro Rodrigo Mello Franco de Andrade, historiador e jornalista. Rodrigo foi um dos fundadores e também diretor do órgão de preservação do patrimônio artístico nacional criado em 1937, durante o Governo Vargas.
É possível afirmar que a criação do órgão teve inicio nos anos de 1920, quando intelectuais e artistas da época, sob influencias europeias e norte-americanas, iniciam uma produção intensa do que viria a ser chamado de modernidade. Estes pré-modernistas sintetizavam em suas obras, em maior e menor grau, indícios de que algo estava mudando. É neste momento que a discussão sobre a preservação dos bens de valor histórico e artístico brasileiros, ganha visibilidade.
No ano em que se comemorou o primeiro centenário da Independência acontece em São Paulo a Semana da Arte Moderna reunindo todos os artistas pré-modernistas. No processo de fortalecimento do sentimento de identidade nacional, esse evento trouxe novos valores que contribuíram significativamente para o conceito de patrimônio imaterial. Através de artistas como Mário de Andrade, o SPHAN (Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) começa a ser idealizado.
Para que tal órgão entrasse em ação foi necessário percorrer, identificar e reconhecer o interior brasileiro. Entre os anos 1920 a 1930 considerou-se então que o estilo colonial presente em edificações, monumentos, pinturas e esculturas constituía o patrimônio genuinamente brasileiro.
Em 1937, com o órgão criado, inicia-se um processo de pesquisa, inventariado, catalogação, conservação e restauração de monumentos e edifícios, que só foi possível com a direção de Rodrigo. O trabalho do órgão passa então a ser divulgado pela Revista de Patrimônio, criada por Rodrigo, que inicia sua circulação no ano de 1937.

Foto 1: Rodrigo Mello Franco de Andrade
Foto do acervo da FRMFA - Tiradentes (MG)

Rodrigo é quem organizou e comandou todo o aparato de profissionais a quem transmitiu, além de entusiasmo e empenho, a importância de se preservar todo esse patrimônio cultural. E maior ainda que se preservar um patrimônio histórico é reconhecer o poder de rememoração e identidade que ele carrega.
Essas ações e as reflexões sobre a importância dos bens culturais imateriais como referenciais para vários grupos formadores da sociedade estão presentes na Constituição de 1988 que determina que:

Art. 216. Constituem patrimônio cultural brasileiro os bens de natureza material e imaterial, tomados individualmente ou em conjunto, portadores de referência à identidade, à ação, à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira, nos quais se incluem:
I – as formas de expressão;
II – os modos de criar, fazer e viver;
III – as criações científicas, artísticas e tecnológicas;
IV – as obras, objetos, documentos, edificações e demais espaços destinados às manifestações artístico-culturais;
V – os conjuntos urbanos e sítios de valor histórico, paisagístico, artístico, arqueológico, paleontológico, ecológico e científico.

Atualmente conhecido como IPHAN (Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) o órgão salienta que “o período em que Rodrigo esteve à frente da instituição de proteção ao patrimônio nacional, que vai de 1937 a 1967, ficou conhecido como fase heroica, refletindo a realidade do trabalho realizado.”
É impossível, portanto, falar de patrimônio histórico sem mencionar a personalidade de Rodrigo Melo Franco de Andrade. Rodrigo faleceu em 1969, mas, sua contribuição para preservação do patrimônio permanece.

* Redação de Ariela Marques Síria (Graduanda de História pela UFSJ) 

Referências bibliográficas

IPHAN – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado. Disponível em: http://portal.iphan.gov.br/. Acesso em: 09 de Setembro de 2014.

MATIAS, Carlos P. Paulo; CAMPOS, Juliano B.; SANTOS, Josiel - A Semana de Arte Moderna e a Constituição da Ideia de Patrimônio Cultural Imaterial no Brasil. História e-história. 2014. Disponível em: http://www.historiaehistoria.com.br/. Acesso em: 09 de Setembro de 2014.

MENEGUELLO, Cristina. A preservação do patrimônio e o tecido urbano - Parte 1: A reinterpretação do passado histórico. Revista Arquitexto, n. 03.001, ano 1, Ago. 2000. Disponível em
http://www.vitruvius.com.br/. Acesso em: 09 de Setembro de 2014.