terça-feira, 5 de agosto de 2014

A Construção Colonial e Vernacular da Casa do Padre Toledo

A arquitetura colonial do Brasil compreende as obras arquitetônicas desenvolvidas durante o período de 1500, ano do descobrimento, até 1822, ano de sua independência (LEMOS, 1989). Em Minas Gerais encontra-se grande parte desse acervo de monumentos, resultado principalmente do período da exploração mineral no estado. Nesses são observados traços e características das correntes estilísticas europeias como do renascimento, maneirismo, barroco, rococó e neoclássico, adaptadas às condições materiais e socioeconômicas locais.

Inicialmente, foram utilizadas nas construções residenciais técnicas como a da taipa-de-pilão e do pau-a-pique, já que estas empregavam materiais abundantes dos locais como o barro e a madeira. Nas coberturas geralmente utilizava-se a palha obtendo um resultado semelhante às ocas indígenas (LEMOS, 1989). Com o avanço dos sistemas arquitetônicos e com uma estrutura urbana básica já consolidada, a técnica do adobe e da cantaria de pedra foi introduzida às edificações. A madeira passou a ser empregada para outras finalidades como a de reforço estrutural, aplicação no piso e como estrutura base para o telhado que aderiu a telha de barro.

Em alguns casos, materiais específicos de cada região também eram empregados nas obras. Essa atividade é conhecida como arquitetura vernacular e se refere ao aproveitamento de materiais e recursos naturais do próprio local ou da região nas construções. Em Tiradentes, antiga Vila de São José Del Rei, observa-se esse procedimento na utilização da rocha chamada “Moledo”. Extraída da Serra de São José, a rocha, sendo maleável, apresentava facilidades para ser moldada em blocos e resistência adequada para dar suporte às construções.


Foto 1: Parede de moledo. Foto: Andressa Ferreira

No solar construído na segunda metade do século XVIII, residência do antigo vigário e inconfidente Carlos Toledo, as técnicas do adobe e do moledo foram trabalhadas em conjunto, embora ajustadas independente uma da outra (LEMOS & BRASILEIRO, 2012). Nas paredes estruturais da casa, que possuem aproximadamente 70 cm de espessura, o Moledo foi empregado de forma a dar suporte à obra. Já nas paredes divisórias, com cerca de 40 cm, observa-se a utilização do adobe, um material feito a partir da mistura de barro cru, fibras vegetais, areia e estrume de animais. Esses materiais eram misturados formando uma massa e, posteriormente, moldados artesanalmente em fôrmas de madeira. O material transformado em tijolos secava cru sob a sombra e podia ser fabricado em diversas dimensões (OLIVEIRA, 2011).


Foto 2: Amostra de adobe no Museu Casa Padre Toledo. Foto: Andressa Ferreira

Atualmente a edificação funciona como museu e mantém seu foco principalmente na arquitetura de traços coloniais presente tanto no exterior quanto no interior da casa. No corredor do solar existem algumas amostras (Foto 2) das técnicas construtivas e, próximo ao porão do solar, é possível ainda ver uma parede de moledo sem o reboco (Foto 1). Nessa, pode-se observar como os blocos eram dispostos irregularmente e como era feito o acabamento de reboco finalizado com cal.

* Redação de Andressa Ferreira Pinto (graduanda em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal de São João Del-Rei) e revisão de Rafael Augusto Gomes (graduando em História pela Universidade Federal de São João Del-Rei).

BIBLIOGRAFIA:

LEMOS, Celina Borges; BRASILEIRO, Vanessa Borges. Casa Padre Toledo: o bem cultural como conjunção de espaços e tempos históricos. In: DANGELO, André Guilherme Dornelles; CUNHA, Alexandre Mendes; FIGUEIRA, Rodrigo Minelli. Museu Casa Padre Toledo. Belo Horizonte: Editora da UFMG, 2012. p. 18-37.

LEMOS, Carlos Alberto Cerqueira. História da casa brasileira. São Paulo: Contexto, 1997.

OLIVEIRA, Leila Bueno. Introdução ao estudo de adobe: construção de Alvenaria. Brasília, 2011.