terça-feira, 10 de junho de 2014

Hipólita Jacinta Teixeira de Melo

Quem iria suspeitar de uma mulher participando de uma revolução em uma sociedade patriarcal?

Portadora de uma personalidade forte, ainda assim teve sua importância no contexto da Conjuração Mineira praticamente esquecida. Ao seu valor, aos seus atos, esse texto faz mais que contar uma história, trata-se de lembranças de um tempo que ainda se constrói. A figura da mulher em sua força participante e ativa a um ideal, mesmo que em menor número e maior temor deve ser reconhecida sua participação e luta pela liberdade da pátria amada em questão, Brasil.

Mulher excepcional para o seu tempo, educada e culta, nasceu em 1748 em Prados, casada com Francisco Antônio de Oliveira Lopes que servia ao Regimento dos Dragões de Minas, companheiro do alferes Joaquim José da Silva Xavier, foi provavelmente a mulher mais rica e generosa de sua época. 
Não teve filhos, mas adotou duas crianças que foram abandonadas na porta de sua fazenda, Antônio Francisco Teixeira Coelho, futuro barão, e Francisco da Anunciação Teixeira Coelho, que foi vigário e deputado. Dona Hipólita faleceu no dia 27 de abril de 1828 e foi sepultada na capela-mor da Matriz de Nossa Senhora da Conceição, na sede do arraial, mas em sua vida, dentre a história dos derrotados ela também escreveu a sua, dois episódios comprovam sua participação efetiva no Levante contra a Coroa Portuguesa.

Hipólita tinha pleno conhecimento e apoiava o movimento da Inconfidência Minera, foi à única mulher a participar ativamente do movimento. Pertencia a uma família ativa da política mineira, sua residência se localiza em ponto estratégico do caminho Velho, fazenda herdada de seu pai denominada Ponta do Morro, situada na Serra de São José. Sua participação se deu pela ajuda na comunicação entre os inconfidentes, enviava bilhetes e cartas aos inconfidentes.

Em uma carta escrita ao seu marido Francisco Antônio, ela alertava sobre a prisão do líder Tiradentes e o traidor Joaquim Silvério dos Reis. Mesmo temerosa por seu marido, se fez clara em suas palavras: “haja com cuidado, mas não se furte ou esqueça de que faz parte de um grupo de revoltosos que lutavam por ideais de melhoria das condições de vida e trabalho em Minas Gerais”. Hipólita impediu seu marido de entregar uma carta-denúncia delatando o movimento ao Governador de Minas em troca de diminuir a pena destinada ao próprio por participar da Conjuração Mineira. Dona Hipólita agia sob ideais que são revelados em um trecho de outra carta, está destinada a Padre Toledo, ela diz: “mais vale morrer com honra que viver com desonra”. Assim entendemos uma patriota que de outras formas tentaria salvar seu marido, mas sem permitir a traição do movimento.

Quando o movimento fracassou, com a prisão dos inconfidentes, os familiares sofreram repressão. Por participar na Conjuração Mineira, Dona Hipólita teve todos seus bens sequestrados pela Coroa Portuguesa. Em longo processo, conseguiu resgatar e reaver quase todo seu rico patrimônio, através de suas habilidades e influência conseguiu reverter sua severa punição e multiplicou sua fortuna, com seu bom coração deixou em testamento grande riqueza aos menos afortunados de Prados.

* Redação de Italândia Ragi (graduanda em História pela Universidade Federal de São João del-Rei) e Ariela Síria (graduanda em História pela Universidade Federal de São João del-Rei).

Bibliografia:

LOPES, Marcus.; Hipólita – A inconfidente de saias - a história da única mulher que participou da Inconfidência Mineira. Disponível em: 
http://guiadoestudante.abril.com.br/aventuras-historia/inconfidente-saias-historia-unica-mulher-participou-inconfidencia-mineira-779271.shtml , acessado em 01 de Junho de 2014.

CRUZ, Luiz.; A inconfidente e sua cidade. Hipólita Jacinta Teixeira de Melo. Disponível em: http://saojoaodelreitransparente.com.br/works/view/33, acessado em 31 de Maio de 2014.