quinta-feira, 20 de março de 2014

Museu Casa Padre Toledo


A casa setecentista onde se encontra hoje o Museu Casa do Padre Toledo, pertenceu ao inconfidente Padre Carlos Correia de Toledo e Melo nasceu em Taubaté, em 1731, Capitania de São Paulo, de onde no século anterior haviam partido tantas entradas e bandeiras, atravessando a Mantiqueira em busca das minas. Foi designado vigário, em 1777, da Matriz de Santo Antônio, e presbítero do hábito de São Pedro. Foi preso aos 59 anos, em 1789, quando atravessava a Serra de São José, acusado pelo Acórdão da Alçada de convidar para a conjuração o seu irmão Luís Vaz de Toledo, sargento-mor da Cavalaria Auxiliar de São João Del Rei, declarando nos autos da devassa a sua participação como inconfidente. Expatriado para Portugal, permaneceu inicialmente encerrado na Fortaleza de São Julião, até ser transferido para uma prisão eclesiástica em Lisboa, onde veio a falecer, em 1803. A sua casa fazia parte do casario setecentista da Vila São José Del Rei, e não há fontes precisas que informem a data da sua construção, que conforma um solar de andar único, acrescida posteriormente de pequeno torreão/mirante. A construção apresenta alguns forros retos e em forma de gamela, pintados, coisa rara nas residências particulares da época; e vestígios de pintura indicam decoração original nas paredes de alguns cômodos.
Homem culto e liberal, Padre Toledo vivia com o requinte que a riqueza das minas possibilitava às pessoas do seu estado e posição. De acordo com os autos da devassa, no sequestro dos bens do Vigário Carlos Correia de Toledo encontram-se: três dúzias de pratos finos, uma dúzia de xícaras e pires e três bules, todos de louça da índia; doze copos de vidro; duas terrinas de louça de Lisboa; além de outros artefatos. De gosto sofisticado, Padre Toledo possuía muitos móveis pintados, como estantes, catre com cabeceira dourada, além da policromia. Nos sobrecéus das camas, no encosto das cadeiras e nos canapés e almofadas de portas havia damasco carmesim.
Pela Lei nº 290, de 1971, a Câmara Municipal de Tiradentes doou à Fundação Rodrigo Mello Franco de Andrade a Casa do Padre Toledo, no número 190 da rua com o mesmo nome. Em 1973, foi firmado um convênio entre a Fundação e o Patrimônio, no sentido de estabelecer mútua colaboração entre as duas Instituições para a preservação do acervo cultural de Tiradentes. O Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico se comprometeu a ceder à Fundação, por empréstimo, peças para figurar na exposição museográfica inaugural da Casa, uma vez que os seus bens, arrolados na época da devassa, não puderam ser encontrados. Esta medida recebeu as colaborações dos Museus da Inconfidência e de São João Del Rei, que cederam móveis e objetos restaurados para a expografia. Com os recursos da Fundação Rodrigo Mello Franco de Andrade, deu-se, nesse período, a criação do Museu Casa Padre Toledo.
De 1940 até os dias atuais, foram realizadas restaurações no Museu Casa Padre Toledo, que visavam recuperar os traços originais do imóvel e reparar incorreções estruturais.